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Vitor Ramil - Letras e Músicas

Vitor Ramil

Estrela, Estrela

Estrela, estrela Como ser assim Tão só, tão só E nunca sofrer Brilhar, brilhar Quase sem querer Deixar, deixar Ser o que se é No corpo nu Da constelação Estás, estás Sobre uma das mãos E vais e vens Como um lampião Ao vento frio De um lugar qualquer É bom saber Que és parte de mim Assim como

Vitor Ramil

Espaço

Quarto de não dormir Sala de não estar Porta de não abrir Pátio de sufocar Carta no corredor Eu não vou nem pegar A voz no gravador Não quero escutar A lua é um farol O vento, um assobio A foto é um out-door Teu rosto em 3x4 Mostra que Tudo Na madrugada Insiste em ficar Já

Vitor Ramil

Foi No Mês Que Vem

Vou te vi Ali deserta de qualquer alguém Penso, logo irei Que seja antes minha que de outrem Quando o vento fez do teu vestido Um dom que Deus te deu Claro que eu rirei Ao vendo o que outro alguém não viu Vou andei E me chegando assim te

Vitor Ramil

Semeadura

Nós vamos prosseguir, companheiro Medo não há No rumo certo da estrada Unidos vamos crescer e andar Nós vamos repartir, companheiro O campo e o mar O pão da vida, meu braço, meu peito Feito pra amar. Americana Pátria, morena Quiero tener Guitarra y canto libre En tu amanecer No pampa, meu pala

Vitor Ramil

Deixando o Pago

Alcei a perna no pingo E saí sem rumo certo Olhei o pampa deserto E o céu fincado no chão Troquei as rédeas de mão Mudei o pala de braço E vi a lua no espaço Clareando todo o rincão E a trotezito no mais Fui aumentando a distância Deixar o

Vitor Ramil

Satolep

Sinto hoje em Satolep O que há muito não sentia O limiar da verdade Roçando na face nua As coisas não têm segredo No corredor dessa nossa casa Onde eu fico só com minha voz A Dalva e o Kleber na sala Tomando o mate das sete A Vó vem

Vitor Ramil

Noite de São João

Noite de São João Noite de São João Para além do muro do meu quintal Noite de São João Noite de São João Para além do muro do meu quintal Do lado de cá, eu Do lado de cá, eu Do lado de cá, eu Sem noite de São João Do

Vitor Ramil

Chimarrão

Velho porongo crioulo, Te conheci no galpão, Trazendo meu chimarrão Com cheirinho de fumaça, Bebida amarga da raça Que adoça o meu coração. Bomba de prata cravada, Junto ao açude do pago, Quanta china ou índio vago Da água seu pensamento De alegria, sofrimento, De desengano ou afago. Te vejo na lata de

Vitor Ramil

Ramilonga

Chove na tarde fria de Porto Alegre Trago sozinho o verde do chimarrão Olho o cotidiano, sei que vou embora Nunca mais, nunca mais Chega em ondas a música da cidade Também eu me transformo numa canção Ares de milonga vão e me carregam Por aí, por aí Ramilonga,

Vitor Ramil

Gaudério

Poncho e laço na garupa Do pingo quebrei o cacho Dum zaino negro gordacho Assim me soltei no pampa Recém apontando a guampa Pelito grosso de guacho Fui pelechando na estrada Do velho torrão pampeano Já serrava sobreano Cruzava de um pago a outro Quebrando queixo de potro Sem nunca ter desengano Fui

Vitor Ramil

Joquim

Satolep Noite No meio de uma guerra civil O luar na janela Não deixava a baronesa dormir A voz da voz de Caruso Ecoava no teatro vazio Aqui nessa hora é que ele nasceu Segundo o que contaram pra mim Joquim era o mais novo Antes dele haviam seis irmãos Cresceu o

Vitor Ramil

Invento

Vento Quem vem das esquinas E ruas vazias De um céu interior Alma De flores quebradas Cortinas rasgadas Papéis sem valor Vento Que varre os segundos Prum canto do mundo Que fundo nao tem Leva Um beijo perdido Um verso bandido Um sonho refém Que eu não possa ler, nem desejar Que eu não possa imaginar Oh, vento que

Vitor Ramil

Loucos de Cara

Vem, anda comigo pelo planeta Vamos sumir! Vem, nada nos prende, ombro no ombro Vamos sumir! Não importa que Deus Jogue pesadas moedas do céu Vire sacolas de lixo Pelo caminho Se na praça em Moscou Lênin caminha e procura por ti Sob o luar do oriente Fica na tua Não importam vitórias Grandes

Vitor Ramil

Querência

Deixei a velha querência Saí de lá mui novinho Com tabuleta ao focinho E a marca já descascada Ponta da cola aparada Sinal de laço ao machinho Por estes campos afora Deste Rio Grande infinito De pago em pago ao tranquito Repontando o meu destino Do campo grosso pro fino Fui me

Vitor Ramil

Indo Ao Pampa

Vou num carro são Sigo essa frente fria Pampa a dentro e através Desde o que é Libres sigo livre E me espalho sob o céu Que estende tanta luz No campo verde a meus pés O que vejo lá? Mata nativa instiga o olho Que só visa me levar Sobe

Vitor Ramil

Que Horas Não São?

Que horas não são? A onda nunca vai quebrar É sempre a mesma estação O sol queimando o teu olhar Deus fez o céu E pôs a terra pra rodar Ela empacou no sinal Do sol brilhando em teu olhar Que horas não são? A gente imóvel num cartão postal Seca

Vitor Ramil

Não É Céu

Não é céu sobre nós Dele essa noite não veio E muito menos vai o dia chegar Se chegar, não é sol Quem sabe a luz de um cigarro Que desaba do vigésimo andar É fogo, mora Deixa essa brasa descer lá fora Deixa o mundo todo queimar É cedo,

Vitor Ramil

Desgarrados

Eles se encontram no cais do porto pelas calçadas Fazem biscates pelos mercados, pelas esquinas, Carregam lixo, vendem revistas, juntam baganas E são pingentes das avenidas da capital Eles se escondem pelos botecos entre cortiços E pra esquecerem contam bravatas, velhas histórias E então são tragos, muitos

Vitor Ramil

Barroco

Eu tô girando pelo quarto Olhando o teto abobadado No centro exato de um palácio Com dez mil nobres no meu rastro Eu vejo o ouro brasileiro O terremoto de Lisboa Os espanhóis sonhando o mundo Os jesuitas no meu rastro No claro-escuro É que ela me vê E diz assim: "Sai

Vitor Ramil

Astronauta Lírico

Vou viajar contigo essa noite Conhecer a cidade magnífica Velha cidade supernova Vagando no teu passo sideral Quero alcançar a cúpula mais alta Avistar da torre a via-láctea Sumir ao negro das colunas Resplandecer em lâmpadas de gás Eu, astronauta lírico em terra Indo a teu lado, leve, pensativo A lua