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Zé Geraldo - Letras e Músicas

Zé Geraldo

Cidadão

Tá vendo aquele edifício moço? Ajudei a levantar Foi um tempo de aflição Eram quatro condução Duas pra ir, duas pra voltar Hoje depois dele pronto Olho pra cima e fico tonto Mas me chega um cidadão E me diz desconfiado, tu tá aí admirado Ou tá querendo roubar? Meu domingo

Zé Geraldo

Aprendendo a Viver

O gesto que agradece o dado O ato que engradece o fato A luz que guia o meu sapato O passo é um laço As grandes pedras do caminho A sensação de embaraço A intimidade de um abraço O pacto O rapto As coisas do mundo Vão se traduzindo E o tempo é

Zé Geraldo

Senhorita

Minha meiga senhorita eu nunca pude lhe dizer Você jamais me perguntou de onde eu venho e pra onde vou De onde eu venho não importa, já passou O que importa é saber pra onde vou Minha meiga senhorita o que eu tenho é quase nada Mas

Zé Geraldo

Promessas de Um Idiota Às Seis da Manhã

Momento que aponta e revela a cor da poesia Ainda resta um pedaço da noite Teimosa empurrando a barra do dia Já se ouve os primeiros pardais afinando a orquestra É o início do dia de dor e de festa Retrato inverso da Ave Maria E eu prometo aderir

Zé Geraldo

Milho Aos Pombos

Enquanto esses comandantes loucos ficam por aí Queimando pestanas organizando suas batalhas Os guerrilheiros nas alcovas preparando na surdina suas Mortalhas A cada conflito mais escombros Isso tudo acontecendo e eu aqui na praça Dando milho aos pombos Isso tudo acontecendo e eu aqui na praça Dando milho aos

Zé Geraldo

Zé e José

Zé e José eram amigos de fé e sentimentos Se ajudavam nos momentos difíceis Sorriam juntos na felicidade Os pés no chão, o tempo a favor Namoro com as moças bonitas Noites e luas no interior Ser feliz incomoda aos que são amargos Alguns pais carrancudos lhes chamavam vagabundos Sejam como

Zé Geraldo

O Profeta

O dia vai chegar estou me preparando porque antevi No livro que lhe empresto e você não aceita a verdade ali Existe tanta gente por ai as tontas sem se definir Na hora da balança O peso não alcança o que deve atingir Hei Homem de

Zé Geraldo

Meninos

Vou pro campo No campo tem flores As flores têm mel E mais de noitinha estrelas no céu O céu da boca da onça é escuro Não cometa, não cometa, não cometa furo Pimenta malagueta não é pimentão Vou pro campo acampar no mato No mato tem pato, gato e carrapato Canto

Zé Geraldo

Como Diria Dylan

Hei você que tem de 8 a 80 anos Não fique aí perdido como ave sem destino Pouco importa a ousadia dos seus planos Eles podem vir da vivência de um ancião ou da inocência de um menino O importante é você crer na juventude que existe dentro

Zé Geraldo

Olhos Mansos

Esse par de olhos mansos jaboticaba madura Dos campos a liberdade Dos anjos tem a candura Tem um néctar precioso O doce da rapadura No meu peito feito cachoeira Com sabor de água pura É a salvação da minha lavoura contra seca e geada Vagalume que clareia as curvas da madrugada Canto forte

Zé Geraldo

Reciclagem

Saí de casa muito cedo Os trapos na minha sacola Camisa bordada no bolso Na mão direita a viola Principiava o mês de junho O céu cinzento anunciava o inverno O peito vazio de tudo E a mala cheia de amor materno Meu companheiro Que sai de casa e na

Zé Geraldo

Estradas

Trago no meu peito ardendo em chamas pés descalços sobre a lama que cobriu nossos caminhos Desconheço qualquer traço de esperança que o abraço da lembrança faça renascer sozinho Esse corpo magro e mal-tratado Esse cérebro calejado quer abrir os corações E acabar de vez com a inquietude que emudece a

Zé Geraldo

Galho Seco

Eu andava acabrunhado e só Perdido e sem lugar Feito um galho seco Arrastado pelo temporal Pensei até em enrolar minha bandeira e dar no pé Eu pensei até em jogar fora a minha história, os documentos e aquela fé Fazia tempo que o sol não derramava

Zé Geraldo

Banquete de Hipócritas

O presidente come o vice-presidente Que come o diretor O diretor come o gerente Que come o supervisor O supervisor por não ter a quem comer Come o trabalhador O trabalhador come o pão Que o diabo amassou O presidente....que o diabo amassou Banquete de hipócritas Banquete de hipócritas Comeu, comeu, comeu,

Zé Geraldo

Rio Doce

Deposito em suas águas meu grande segredo Parto pra cruzar fronteiras, engrossar fileiras Compor meu enredo Deixo suas margens ricas sob a sombra lírica da Ibituruna Una, pobre sabiá que perdeu seu canto de frases ligeiras Por ver se apagar a ilusão ardente Tão inconseqüente da paixão

Zé Geraldo

Na barra do seu vestido

Qualquer dia desses vou descer as ruas Vou entrar nos bares Vou beber os mares Pra criar coragem e te procurar Vou pela Fradique cantando um bolero Feito um Valdick gentil e sincero Coração errante que só quer amar Desço a Purpurina onde a tarde brilha Sobre a minha

Zé Geraldo

Semente de tudo

Eu sou o atalho de todas as grandes estradas por onde passei Das vilas pequenas cidades por onde andei Herança de casos passados, migalhas do pão consumido Eu sou a metade de tudo que você tem sido Nas ruas num sol de dezembro eu sou o farol

Zé Geraldo

Uai Bichinho

Quando cheguei nessa terra Com uma mão na frente a outra atrás O corpo comprava briga A alma clamava paz Meu companheiro de pensão vivia falando Oxente bichinho cabra da peste E eu retrucava uai uai Um chamava pela mãe O outro gritava pai Uai bichinho cabra da peste uai De

Zé Geraldo

Misterios

Esse olhar, sempre fitando o infinito Envolto em misterios Ainda tráz a emoção de um Brilho bonito Quantos já tentaram desvendar esse olhar Quantos já trilharam os atalhos Tortuosos desse coração Eu não posso acreditar Que a vida saiu pela porta eu eu não notei Que o cavalo passou encilhado

Zé Geraldo

Coroação de Maria

Deus vos salve Senhora Bela Constelação Lembro nesta santa hora Vossa coroação Mês de maio Quermesse e procissão Ladainha Novena e louvação A prenda mais linda no sonho do leilão é Maria Virgem da Conceição Cada cor uma congregação Na bandeira o sinal da devoção Todos vão pedindo A vossa intercessão Que nos leve ao sagrado coração Todo