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Zé Ramalho - Letras e Músicas

Zé Ramalho

Chão de Giz

Eu desço dessa solidão Espalho coisas Sobre um Chão de Giz Há meros devaneios tolos A me torturar Fotografias recortadas Em jornais de folhas Amiúde! Eu vou te jogar Num pano de guardar confetes Eu vou te jogar Num pano de guardar confetes Disparo balas de canhão É inútil, pois existe Um grão-vizir Há tantas violetas

Zé Ramalho

Vila do Sossego

Oh, eu não sei se eram os antigos que diziam Em seus papiros Papillon já me dizia Que nas torturas toda carne se trai Que normalmente, comumente, fatalmente, felizmente Displicentemente o nervo se contrai Oh, com precisão Nos aviões que vomitavam pára-quedas Nas casamatas, casas vivas, caso morras E

Zé Ramalho

Sinônimos

Quanto o tempo o coração leva pra saber Que o sinônimo de amar é sofrer No aroma de amores pode haver espinhos É como ter mulheres e milhões e ser sozinho Na solidão de casa, descansar O sentido da vida, encontrar Ninguém pode dizer onde a felicidade

Zé Ramalho

Batendo Na Porta Do Céu

Uh! Uh! uh! uh! Uh! Uh! uh! uh! Mãe! Tire o distintivo de mim Que eu não posso mais usá-lo Está escuro demais pra ver Me sinto até batendo Na porta do céu Bate! Bate! bate! Na porta do céu Bate! Bate! bate! Na porta do céu Bate! Bate! bate! Na porta do céu Bate!

Zé Ramalho

Admirável Gado Novo

Ôôô, boi Vocês que fazem parte dessa massa Que passa nos projetos do futuro É duro tanto ter que caminhar E dar muito mais do que receber E ter que demonstrar sua coragem À margem do que possa parecer E ver que toda essa engrenagem Já sente a ferrugem

Zé Ramalho

Disparada

Prepare o seu coracao pras coisas que eu vou contar Eu venho la do sertao, eu venho la do sertao Eu venho la do sertao e posso nao lhe agradar Aprendir a dizer nao,ver a morte sem chorar E a morte, o destino, tudo, a

Zé Ramalho

Frevo Mulher

Quantos aqui ouvem Os olhos eram de fé Quantos elementos Amam aquela mulher Quantos homens eram inverno Outros verão Outonos caindo secos No solo da minha mão Gemeram entre cabeças A ponta do esporão A folha do não-me-toque E o medo da solidão Veneno meu companheiro Desata no cantador E desemboca no primeiro Açude do meu

Zé Ramalho

O Meu País

Tô vendo tudo, tô vendo tudo Mas fico calado, faz de conta que sou mudo Um país que crianças elimina Que não ouve o clamor dos esquecidos Onde nunca os humildes são ouvidos E uma elite sem Deus é quem domina Que permite um estupro em cada

Zé Ramalho

Avôhai

Um velho cruza a soleira De botas longas, de barbas longas De ouro o brilho do seu colar Na laje fria onde coarava Sua camisa e seu alforje De caçador Oh meu velho e invisível Avôhai Oh meu velho e indivisível Avôhai Neblina turva e brilhante Em meu cérebro, coágulos de sol Amanita

Zé Ramalho

Beira-Mar

Eu entendo a noite como um oceano Que banha de sombras o mundo de sol Aurora que luta por um arrebol Em cores vibrantes e ar soberano Um olho que mira nunca o engano Durante o instante que vou contemplar Além, muito além onde quero chegar Caindo a

Zé Ramalho

Cidadão

Tá vendo aquele edifício, moço? Ajudei a levantar Foi um tempo de aflição Eram quatro condução Duas pra ir, duas pra voltar Hoje depois dele pronto Olho pra cima e fico tonto Mas me vem um cidadão E me diz desconfiado "Tu tá aí admirado? Ou tá querendo roubar?" Meu domingo tá

Zé Ramalho

A Terceira Lâmina

É aquela que fere Que virá mais tranquila Com a fome do povo Com pedaços da vida Como a dura semente Que se prende no fogo De toda multidão Acho bem mais Do que pedras na mão... Dos que vivem calados Pendurados no tempo Esquecendo os momentos Na fundura do poço Na garganta do

Zé Ramalho

Garoto de Aluguel

Baby! Dê-me seu dinheiro Que eu quero viver Dê-me seu relógio Que eu quero saber Quanto tempo falta Para lhe esquecer Quanto vale um homem Para amar você Minha profissão É suja e vulgar Quero um pagamento Para me deitar E junto com você Estrangular meu riso Dê-me seu amor Que dele não preciso Oh! Oh! Oh! Oh! Ooooooh! Baby! Nossa relação Acaba-se

Zé Ramalho

Eternas Ondas

Quanto tempo temos antes de voltarem aquelas ondas Que vieram como gotas em silêncio tão furioso; Derrubando homens entre outros animais, Devastando a sede desses matagais; (bis) Devorando árvores, pensamentos seguindo A linha do que foi escrito pelo mesmo lábio tão furioso. E se teu amigo vento

Zé Ramalho

Entre a Serpente e a Estrela

Há um brilho de faca Onde o amor vier E ninguém tem o mapa Da alma da mulher... Ninguém sai com o coração sem sangrar Ao tentar revelar Um ser maravilhoso Entre a serpente e a estrela... Um grande amor do passado Se transforma em aversão E os dois lado a

Zé Ramalho

Kryptônia

Não admito que me fale assim Eu sou o seu décimo-sexto pai Sou primogênito do teu avô Primeiro curandeiro Alcoviteiro das mulheres Que corriam sob teu nariz... Me deves respeito Pelo menos dinheiro Ele é o cometa fulgurante Que espatifou... Um asteróide pequeno Que todos chamam de Terra...(2x) De Kryptônia desce teu olhar E

Zé Ramalho

Mulher Nova, Bonita e Carinhosa

Numa luta de gregos e troianos Por Helena, a mulher de Menelau Conta a história de um cavalo de pau Terminava uma guerra de dez anos Menelau, o maior dos espartanos Venceu Páris, o grande sedutor Humilhando a família de Heitor Em defesa da honra caprichosa Mulher nova, bonita

Zé Ramalho

Canção Agalopada

Foi um tempo que o tempo não esquece Que os trovões eram roucos de se ouvir Todo um céu começou a se abrir Numa fenda de fogo que aparece O poeta inicia sua prece Ponteando em cordas e lamentos Escrevendo seus novos mandamentos Na fronteira de um mundo

Zé Ramalho

Mistérios da Meia-Noite

Mistérios da Meia-Noite Que voam longe Que você nunca Não sabe nunca Se vão se ficam Quem vai quem foi... Impérios de um lobisomem Que fosse um homem De uma menina tão desgarrada Desamparada se apaixonou... Naquele mesmo tempo No mesmo povoado se entregou Ao seu amor porque? Não quis ficar como os beatos Nem

Zé Ramalho

Táxi Lunar

Ela me deu o seu amor, eu tomei No dia 16 de maio, viajei Espaçonave atropelado, procurei O meu amor aperreado Apenas apanhei na beira-mar Um táxi pra estação lunar Bela linda criatura, bonita Nem menina, nem mulher Tem espelho no seu rosto de neve Nem menina, nem mulher Apenas apanhei